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Terça-feira, Julho 18, 2006

Saí de casa.

Eu escrevia com uma daquelas canetas de nanquim, mas devido à falta de habilidade uma pequena poça escura se formou no papel. E, dela, saiu primeiro uma mão, que depois se transformou num "Pessoa" me dizendo assim:

"Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres"

Lembrei, então, da conversa com a Fabi semana passada:
- Você está precisando de amor.
- Está tão evidente assim? Preciso disfarçar...
- Não adianta... dá pra ver nos seus olhos.

Acordei e fui pro banho. Cantarolei uma música triste de Vinícius.
Quis lutar por não me deixar abater. Quis um dia diferente. Quis ter mais controle.
Decidi que não se pode escolher por ser feliz ou triste antes de sair na rua e olhar o sol.
O dia sempre parece nublado dentro de um quarto fechado

Segunda-feira, Abril 24, 2006

Retiro

a confusão sempre me trouxe poesia
um dia desses a vida se mostrou na sua aspereza
e eu começei a escrever minhas tripas
pra ver se inventava uma saída

experimento a vida
em doses de pequeno efeito, silabando
e, há tempos, já não posso
já não encontro conforto
na explicitude das palavras

até sonho frases de efeito
entendo alguns motivos dormindo
acordo pensando genialidades
mas que se não escrevo se dispersam

queria eu pintar
mas me faltam tintas, telas e talento
tenho contas que não se pagam
e feridas que não se fecham

tenho vontades que não acontecem

não me vejo nem homem
nem menino
mas teimo em continuar vivendo

preferia encontrar no pessimismo
a sorte de uma surpresa

viver é atirar-se sem estar preparado